Domingo, 19 de Maio de 2013

MÍLDIO DA VIDEIRA


Míldio


Introdução


O míldio é uma doença criptogâmica causada pelo fungo Plasmopara Viticola, que ataca todos os órgãos da planta: folhas, sarmentos, gavinhas e cachos.
Ainda que não necessite de chuva para o seu desenvolvimento, condições de elevada humidade, conjugadas com temperaturas amenas reúnem o quadro ideal para o seu desenvolvimento.
O seu controlo poderá ser feito, recorrendo a tratamentos fitofarmacêuticos geralmente conjugados com técnicas culturais que privilegiem o arejamento da copa. Tal como todas as doenças, o míldio deverá ser tratado preventivamente.

Sintomas

Nas folhas


Os primeiros sintomas manifestam-se pelo aparecimento de manchas ligeiramente mais claras, na página superior da folha, passando posteriormente para as chamadas “manchas de óleo”. Nas castas brancas as manchas são amarelas, enquanto nas castas tintureiras, o aparecimento dos sintomas revela-se pela presença de manchas vermelhas, distribuídas aleatoriamente por toda a folha.
Estas manchas desenvolvem-se com alguma facilidade, atingindo ao fim de poucos dias dimensões que podem ir aos 50mm de diâmetro, nas folhas mais jovens.
Após vários dias de elevada temperatura, podemos observar na página inferior da folha um enfeltrado branco, correspondente ao desenvolvimento do fungo.
Com o tempo, as manchas de óleo ficam mais amarelas, acabando por necrosar e dar origem a manchas secas distribuídas pela folhagem.
No início do Outono, as manchas necrosam originando peças castanhas distribuídas por toda a folha, a que usualmente, se designa de – Míldio mosaico.
As contaminações com o herbicida paraquato, são muito semelhantes aos do míldio, pelo seu aparecimento de manchas cloróticas distribuídas pela folha.

Pâmpanos


O míldio, quando aparece numa fase inicial do desenvolvimento da videira, pode atacar a zona dos pâmpanos, onde se desenvolve o micélio. Mais tarde necrosam e secam, inviabilizando a produção do ano.
O pâmpano, altera a sua forma, desenvolvendo com uma ligeira curvatura em forma de “S”.

Nos cachos

O míldio pode atacar todos os órgãos do cacho, designadamente o pedúnculo, pedicelos, botões florais, flores abertas, bagos formados.
Antes ou durante a floração, os ataques traduzem-se por um aborto total ou parcial das flores acompanhado por um escurecimento do cacho. Sob estes órgãos aparece uma pubescência esbranquiçada. Se o ataque for intenso pode ocorrer uma má formação dos bagos.
Após a floração os bagos aparecem mal formados podendo ser atingidos pelo seu pedicelo, parando o crescimento e cobrindo-se por uma poeira esbranquiçada.






Os bagos mais maduros são menos sensíveis ao ataque do fungo, no entanto, em ataques próximos do pintor, os bagos ficam cobertos de manchas acinzentadas, que vão progressivamente evoluindo para castanhas. Ocorre simultaneamente uma depressão no bago na zona da infeção, que se torna acastanhada e impede o desenvolvimento natural deste.







Estragos

Ataques muito graves provocam desparra prematura.
Os cachos dão vinho de baixa qualidade
O atempamento é imperfeito, conduzindo a um deficiente rebentamento no ano seguinte.


Condições favoráveis ao desenvolvimento do míldio

- Queda pluviométrica
Os oósporos só germinam após a maturação necessitando de 10 mm de chuva e uma temperatura de 10 °C para germinarem. 
- Temperatura
A germinação  ocorre a temperaturas mínimas de 10 °C, sendo o seu ótimo entre 18-24 °C.

- Humidade relativa

H.R. ótima: 95%
H.R. mínima: 75-85%

- Recetividade da planta
A planta está especialmente recetiva na fase inicial do seu desenvolvimento, no entanto continua sensível durante todo o ciclo vegetativo. Após o período de folhas abertas, até essa fase, devido ao fato dos estomas se encontrarem fechados e o revestimento piloso da planta ser muito denso os ataques são inexistentes.
As inflorescências são especialmente sensíveis ao ataque do fungo desde o período pré-floral até ao vingamento do cacho. Durante o crescimento do bago até ao pintor a sensibilidade da planta ao ataque do míldio aumenta.

Estratégias de proteção


-Em vinhas excessivamente húmidas o míldio ataca antes dos pâmpanos com 10 cm (7-8 folhas);
-Em terrenos húmidos não é necessária R≥10 mm/24 h;
- Os primeiros tratamentos são muito importantes para a futura evolução do parasita
-A formação de focos primários numerosos e precoces, são mais prováveis com Inverno e início de Primavera chuvosos;
-O primeiro ataque vem do solo e apenas atinge algumas cepas. Para um 2º ataque basta chuva fraca a 20 °C.
-As manchas das contaminações primárias devem ser procuradas nas folhas mais basais das cepas.

Medidas de proteção

- Solos bem drenados dificultam a propagação do fungo;
- Enrelvamento ou não-mobilização permite a entrada no terreno, mesmo em épocas de grandes chuvas;
-Eliminar folhas e ramos ladrões com focos primários;
-Desponta depois da floração e monda precoce de folhas favorece o arejamento;
-Controlar o vigor excessivo das cepas recorrendo a práticas de fertilização e regas equilibradas;
-Utilização de produtos fitofarmacêuticos.

Monitorização

De acordo com os estados de desenvolvimento e os períodos de maior risco de incidência da doença, a monitorização deve ser realizada periodicamente recorrendo a observação visual em simultâneo com a avaliação das condições favoráveis ao desenvolvimento da doença.
Além da observação visual, dados metereológicos ou avisos agrícolas, permitem complementar os dados permitindo uma melhor avaliação da estimativa de risco.


Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

Wine Moments & Gourmet promete “Experiência Vínica à Volta do Mundo” em workshop | Nota de Imprensa


No Sábado, dia 01 de Junho, no Museu do Douro


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Quarenta vinhos em prova e sob a orientação de Jorge Alves e Rui Soares
·         10% de desconto até 19 de Maio, acumulável com 5% para duas ou mais pessoas

Uma “Experiência Vínica à Volta do Mundo” é o que promete a Wine Moments & Gourmet ao organizar um workshop onde vão estar em prova quarenta vinhos, num misto de referências do ‘Velho’ e do ‘Novo Mundo’. Um momento vínico com data marcada para Sábado, dia 01 de Junho, no Museu do Douro, no Peso da Régua.

Tendo como público-alvo profissionais da área de vinhos (viticultura, enologia e mercado), mas também enófilos ou curiosos na matéria, esta acção de formação vai ser conduzida pelos técnicos Jorge Alves e Rui Soares, sócios da Wine Moments & Gourmet e especialistas no sector. Com horário entre as 09h30 e as 19h00, o valor do workshop é de € 130,00 + IVA. Quem se inscrever até 19 de Maio beneficiará de um desconto de 10%, acumulável com mais 5% na segunda inscrição, ou seja, quem efectuar duas ou mais inscrições antecipadas beneficiará de um desconto de 15%. O preço inclui coffee break de manhã e à tarde, almoço volante e entrada no Museu do Douro.

Em prova e discussão vão estar quarenta néctares bem distintos, provenientes de vinte zonas vinícolas. No que toca aos países do ‘Velho Mundo’, destacam-se, para além de Portugal (com vinhos das regiões: Vinhos Verdes, Trás-os-Montes, Douro, Bairrada, Dão, Tejo, Lisboa, Alentejo e Algarve), a Alemanha, Espanha, França (Bordéus e Borgonha) e Itália. Do ‘Novo Mundo’, vão estar em cima da mesa vinhos da África do Sul, Argentina, Austrália, Califórnia (Napa Valley), Chile e Nova Zelândia.

Sobre a Wine Moments & Gourmet
“Venha sentir e conhecer o Douro por dentro” é a assinatura da Wine Moments & Gourmet, uma agência de animação turística duriense que nasceu do sonho e vontade de Jorge Alves e Rui Soares – técnicos de enologia e vitivinicultura – em quererem partilhar o seu conhecimento e paixão pela região com todos aqueles que a visitam em busca dos seus magníficos encantos. “Mergulhar” nos temas do vinho, vinha, património, história e gastronomia duriense pelas mãos de quem conhece e vive o Douro é a mais-valia desta nova empresa. A Wine Moments & Gourmet propõe-se a suprimir uma lacuna no que toca à ocupação dos tempos livres dos visitantes do Douro, através de uma oferta bastante variada (roteiros, provas, workshops e eventos), séria e em serviço chave na mão, proporcionada por pessoas que vivem, sentem, trabalham e possuem know-how da matéria.

Saiba mais sobre a Wine Moments & Gourmet em www.winemoments.pt.


Para mais informações, contactar, por favor:
Joana Pratas | Consultoria em Comunicação e RP
(joanapratas@joanapratas.com; 93 779 00 05 ou 91 459 11 19)

Domingo, 17 de Março de 2013

VIRGO- A SIMPLICIDADE E ESSÊNCIA DO ALENTEJO



Situada em Santo Aleixo, Concelho de Monforte, a exploração Torre do Frade abraça (entre a totalidade de explorações do produtor) cerca de 3000 hectares do Alentejo.
Uma exploração de carácter puramente familiar, é extremamente versátil, diversa e actual, sem nunca esquecer as raízes familiares dos seus antepassados e de uma agricultura que, em 1839 era quase na sua totalidade auto sustentável.  Os tempos mudaram, a sociedade caminhou para especializações e monoculturas perdendo-se em muito a sustentabilidade das explorações agrícolas existentes por todo o país.
Contrariando essa tendência e conjuntura a Torre do Frade aposta na diversidade e sustentabilidade de todo o espaço rural, desde a produção de cereais: trigo, cevada, aveia, milho e girassol à produção extensiva de suínos e bovinos que tranquilamente pastam ao longo do montado de sobro.

A vinha foi uma aposta mais recente e, deixem-me dizer uma feliz aposta. Costuma dizer-se que quando imprimimos paixão e dedicação aos nossos projectos estes tendem a correr da melhor forma, o sucesso é apenas uma parte do gosto que retiramos dele.





Se a tradição se pode aliar à inovação este é um bom exemplo. O conceito MAKE THE MOMENT, remete-nos para uma experiência única, pessoal e intransmissível. O seu rótulo branco, destacável, convida a todos os provadores a registar as emoções, sensações e experiências vividas durante o momento da prova. São essas experiências transcritas para o papel, em forma de desenhos ou palavras que vão constituir a imagem, sempre em mutação do VIRGO, que provamos.









A vinha composta pelas castas: Arinto, Viognier e Antão Vaz compõem o encepamento branco que dá origem aos vinhos: VIRGO E TORRE DO FRADE VIOGNIER. As tintas: Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonez e Syrah dão corpo e alma ao: VIRGO e TORRE DO FRADE RESERVA.





VIRGO branco

De cor citrina o Virgo liberta aromas cítricos conjugados elegantemente com um toque floral proveniente do Viognier. Mais discretamente são libertadas suaves fragrâncias tropicais fazendo lembrar o abacaxi.
Na boca é aveludado, encorpado e extremamente equilibrado. Sobressaem os aromas citrinos e florais deixando um final de boca bastante agradável.

Castas: Arinto, Viognier e Antão Vaz
Ano: 2011
Álcool: 13%









VIRGO tinto

Vestido de granada intenso com laivos violeta, escorrega lentamente ao longo das paredes do copo, libertando suaves aromas a frutos vermelhos, destacando-se as amoras, cerejas e ameixa. Na boca é macio, leve, com taninos bem incorporados num todo bastante agradável.

Castas: Syrah, Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouschet
Ano: 2010
Álcool: 12,5%



TORRE DO FRADE VIOGNIER


De cor amarelo palha, estrutura intensa é dotado de uma acidez que lhe dá vida. Ao contrário do que previa, os aromas florais não predominam neste vinho, sobressaindo notas citrinas de frescura e vivacidade e suaves apontamentos de frutos de polpa branca. É extremamente encorpado, oleoso e sedoso na boca. O final de boca caracteriza-se por uma enorme frescura e persistência, denotando aqui algumas notas de frutos secos, ainda que muito discretas, muito provavelmente oriundas da madeira. Bastante agradável, bem estruturado e equilibrado.

Castas: Viognier
Ano: 2011
Álcool: 13%





TORRE DO FRADE RESERVA tinto

Brevemente publicaremos as notas de prova

Domingo, 3 de Março de 2013

DONA DORINDA | SYRAH 2011

Há coisas assim, que nascem como que abençoadas desde o início.



A começar pelo nome, a Quinta "Nossa Senhora da Conceição", é abençoada desde o baptismo, até à sua localização. Situada às portas do "Céu", com os Monges Cartuxos como vizinhos, a quinta assenta em solos alentejanos, mesmo à saída de Évora. De lá avista-se a cidade, ouvem-se os monges na sua oração, e ainda se avista todo o esplendor de céu que a nossa vista alcança.

Integrada no curso de Agricultura Biológica, a visita à Quinta deixou-me maravilhada. As práticas de agricultura biológica, integradas sempre que possível com Agricultura biodinâmica, revelaram-se uma verdadeira experiência de novas, ou ancestrais melhor dizendo, técnicas de produção, visando sempre a preservação da natureza como um seu todo. A diodiversidade, a escolha de variedades tradicionais no pomar recém instalado, bem como a sua horta, com os legumes mais propícios à época, permitiram a todos os que a visitaram desmistificar, para quem ainda é reticente a estas práticas, o conceito e a prática de uma agricultura, que aos poucos vem ganhando espaço numa tentativa de corrigir erros e praticar uma agricultura mais saudável e mais próxima do "divino".








Alinhada com as estrelas, a vinha com cerca de dois hectares, encontra-se instalada em forma de "meia-lua", chamando a si as boas energias que o Universo tem para nos oferecer.

E deixem-me dizer-vos que, a comprovar toda esta ligação, conectividade, energia e proximidade com a "Terra", está o vinho "Dona Dorinda". Do ano de 2011 este monocasta de syrah é estrondoso!

Um vinho encorpado de cor ruby escuro, carregado e profundo, liberta inebriantes aromas a frutos silvestres, amoras e bagas vermelhas, um sedoso toque abaunilhado, tudo isto conjugado com estrema elegância e equilíbrio. Sobressaem ainda notas a especiarias e na boca, bastante volumoso, sedoso onde o vegetal ainda se encontra presente. Neste caso vou arriscar dizer que com apenas 2 anos de idade este vinho promete e a idade irá certamente amadurecê-lo e torná-lo num ícone.

Será apenas engarrafado neste ano e infelizmente, penso que não o voltarei a provar, uma vez que a sua comercialização se destina exclusivamente ao mercado dos Estados Unidos, terra-mãe dos proprietários do Valbom do Rouxinol, denominação social da empresa.

A quem o encontrar recomendo vivamente que não perca a oportunidade de o provar.

Dados:
Dona Dorinda 2011
Casta: Syrah
Alcool: 16%
Designação: Regional Alentejano

Empresa: Valbom do Rouxinol, Lda
Morada: Quinta Nossa Srª da Conceição | 7000 Évora | Alentejo | Portugal
Contacto: v261076@gmail.com


Da minha parte, fica desde já um muito obrigado por esta visita  e despeço-me com um ATÉ BREVE!