Casta de excelência na região francesa de Côtes du Rhone, onde produz vinhos de elevada qualidade, a syrah encontra-se atualmente dispersa um pouco por todo o mundo marcando presença nas mais variadas regiões vitivinícolas mundiais, nomeadamente Espanha, Califórnia, Argentina e África do Sul e Portugal.
Foi no início do século XIX, pelas mãos dos australianos que a syrah é primeiramente reconhecida, fora da sua terra natal, no entanto à Europa chegaria somente por volta dos anos 80 e fixando-se pontualmente em Espanha (Castilla la Mancha, Penedés e Priorat) e Portugal (Alentejo).
No Alentejo, a syrah tem mostrado uma enorme capacidade de adaptação aos nossos solos pouco férteis e às tórridas tardes de Verão, revelando-se uma mais valia para os vinhos alentejanos.
Produz vinhos robustos, alcoólicos, carregados de cor e tânicos no entanto estes amadurecem e suavizam rapidamente conferindo-lhes a capacidade de serem bebidos desde cedo.
Paralelamente apresentam uma enorme apetência para o envelhecimento em madeira de carvalho, exalando agradáveis aromas a frutos maduros, compotas, chocolate acompanhadas de apontamentos a especiarias.
De cacho médio, o seu bago apresenta uma forte coloração azul escura e forma elíptica. A planta na sua generalidade apresenta um porte médio, e produções regulares. Relativamente a estas últimas, deverão ser controladas sempre que se vise produção de elevada qualidade.
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segunda-feira, 18 de junho de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
A "pequena MERLOT"
A casta Merlot, originária da região francesa de Bordeaux, especialmente na margem direita do rio Gironde: St-Emilion e Pomerol, teve bastante sucesso a partir dos anos 80. A "pequena" Merlot, apesar da sua extrema qualidade na produção de vinhos pouco ácidos e com bom envelhecimento em carvalho, teve muita dificuldade em se sobrepor à mediática Cabernets Sauvignon.
Pela sua frescura, vivacidade e suavidade, facilmente conquistou o mundo, marcando as regiões da Califórnia, Chile e Austrália, numa primeira fase. Actualmente encontra-se um pouco disseminada por todo o mundo, produzindo vinhos marcados pela cor e suaves aromas a amora e ameixa, nuances herbáceas e taninos suaves. Quando amadurecidos, os vinhos estagiados em madeira libertam potencialmente aromas a chocolate, bolo de fruta e de uma textura bastante suave.
Por muitas palavras que utilize para descrever esta casta, há quem o tenha feito de melhor forma e bastante mais original.
Deixo-vos um vídeo bastante original e didáctico sobre a história da Merlot e suas irmãs: Cabernet Sauvignon e Franc, Malbec e Petit Verdot, realizada pela família Gundlach Bundschu.
Pela sua frescura, vivacidade e suavidade, facilmente conquistou o mundo, marcando as regiões da Califórnia, Chile e Austrália, numa primeira fase. Actualmente encontra-se um pouco disseminada por todo o mundo, produzindo vinhos marcados pela cor e suaves aromas a amora e ameixa, nuances herbáceas e taninos suaves. Quando amadurecidos, os vinhos estagiados em madeira libertam potencialmente aromas a chocolate, bolo de fruta e de uma textura bastante suave.
Por muitas palavras que utilize para descrever esta casta, há quem o tenha feito de melhor forma e bastante mais original.
Deixo-vos um vídeo bastante original e didáctico sobre a história da Merlot e suas irmãs: Cabernet Sauvignon e Franc, Malbec e Petit Verdot, realizada pela família Gundlach Bundschu.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
A que cheiram as castas portuguesas- Antão Vaz
Antão Vaz
Uma das castas brancas com maior relevância na região do Alentejo, a Antão Vaz, nasceu e cresceu nesta zona. Embora sem certezas sobre a sua origem, facto é que faz parte da maioria dos encepamentos alentejanos, com maior incidência em Évora e Vidigueira.
Conhecida e adorada por todos, promove elevadas produções e forte resistência a doenças, indicando que o Alentejo é a sua casa. É aqui que se expressa na sua totalidade, conferindo aos seus vinhos, um agradável perfume, estrutura, firmeza e corpo.
Em condições adversas, esta casta, pode pontualmente, apresentar falta de acidez, que é sabiamente recomposta pela conjugação do blend Arinto e Roupeiro, podendo novamente expressar o seu agradável perfil aromático.
Enquanto “monocasta”, a Antão Vaz exibe notas aromáticas a fruta tropical madura, casca de tangerina e algumas nuances minerais que, em condições favoráveis insinua boa apetência para o envelhecimento em barricas de carvalho.
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domingo, 29 de janeiro de 2012
A que cheiram as castas portuguesas - Touriga Franca
Touriga Franca
Casta de eleição para
a produção dos vinhos do Porto e Douro, a Touriga Franca, também conhecida como
Touriga Francesa, encontra-se sediada, no Douro e Trás-os-Montes. Conhecida
pela sua consistência produtiva e fácil cultivo, estendeu-se para outros
territórios, podendo actualmente ser encontrada na Bairrada, Estremadura,
Setúbal e Ribatejo.
Produz vinhos carregados
de cor, encorpados, libertando aromas que sugerem os frutos e flores
silvestres, ideal para abraçar um vinho do Porto conjuntamente com a Tinta
Roriz (Aragonez) e/ou Touriga Nacional.
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A que cheiram as castas portuguesas - Castelão
Castelão
Dotada de um elevado
poder de adaptação a diferentes condições climáticas, é na região de Palmela,
sob solos de areia e escassez de recursos hídricos que a casta Castelão, anteriormente
conhecida como Periquita, se manifesta na sua plenitude. Espalhada um pouco por
todo o país, idos são os tempos em que a casta era presença obrigatória em
terras alentejanas. No entanto, fruto do seu comportamento pouco favorável
nesta região, originando vinhos pouco equilibrados, magros e de fraca
concentração de cor, a sua presença tem vindo a decrescer. Que justiça lhe seja
feita e, se é verdade a sua inconsistência e leveza de vinhos à pouco referida,
também é verdade que, em solos mais pobres, essencialmente arenosos, e escassez
de água, esta tem um comportamento invejável. Produz vinhos cheios,
estruturados, ricos em taninos e libertando agradáveis aromas a framboesa,
ameixa e groselha, permitindo desfrutar dos seus atributos durante vários anos
de guarda.
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sábado, 28 de janeiro de 2012
A que cheiram as castas portuguesas - Alvarinho
Alvarinho
Conhecida pelo seu perfil extremamente
aromático, a casta Alvarinho, preenche a região dos Vinhos Verdes, mais
precisamente Melgaço e Monção, conferindo a esta região, a bem merecida fama
dos primeiros vinhos monovarietais provenientes desta casta.
Bastante antiga e de
qualidade reconhecível, a casta Alvarinho é conhecida pela sua baixa
produtividade que, compensa com as exuberantes notas aromáticas que a
caracterizam, imputando aos seus vinhos um perfil floral de tília,
erva-cidreira, madressilva, pêssego, toranja e maçã.
Produz vinhos
equilibrados, estruturados, teor alcoólico elevado e, de uma acidez estimulante
e fresca, factores que levaram a que se estende-se nos últimos anos para as regiões
de Setúbal e Estremadura.
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
A que cheiram as castas portuguesas - Baga
Baga
Conhecida pela sua
elevada capacidade produtiva, a Baga, encontra-se um pouco dispersa por todo o
país mas, é nas regiões do Dão e Bairrada que efectivamente marca presença de
forma consistente. Dividida entre os que a adoram e os que a maldizem, a Baga
pode expressar o seu melhor e pior, de acordo com as condições climáticas e
maneio no campo.
Por ser bastante
sensível à podridão e apresentar produtividades médias elevadas, em condições
extremas, poderá parecer demasiado leve, sem corpo e estrutura, pouco
alcoólicos e bastante ácidos. Por outro lado, no seu melhor, controlando a sua
produtividade e favorecendo arejamento, é-nos revelada outra Baga, mais
intensa, concentrada, de taninos macios e aromaticamente agradável. Tintos que,
exalam aromas a frutos silvestres, bagas vermelhas que, se o tempo assim o
permitir evoluirão para complexos aromáticos de ameixa preta, tabaco e café,
fazem desta Baga, uma casta desejável.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
A que cheiram as castas portuguesas - Alfrocheiro
Alfrocheiro
Considerada de forma
consensual, como uma casta de elevada qualidade, o Alfrocheiro, desde há muito
que inunda a região do Dão, região que lhe reconheceu valor, no entanto, pelas
condições climáticas, não é a região a que a casta melhor se adapta.
De maturação muito
precoce e, infelizmente bastante sensível a doenças, como o oídio, podridão e
escoriose, o Dão não lhe conferia as melhores condições de adaptação. Decide
então, pelo entusiasmo de alguns enólogos, viajar pelo país, estendendo-se às
regiões de Palmela, Ribatejo e Alentejo.
É mais a Sul, nas
quentes planícies da paisagem alentejana, que a casta encontra a sua casa.
Solos na sua generalidade pobres, escassez de água e elevadas temperaturas,
permitem ao Alfrocheiro uma maturação perfeita, com altas concentrações de
substâncias corantes, ricas em aromas e taninos suaves, nascem vinhos
encorpados, carregados de cor, estruturados e medianamente alcoólicos.
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
A que cheiram as castas portuguesas- Trincadeira
Marca presença em
quase todas as regiões de Portugal mas, é no Alentejo sob o nome de Trincadeira
e, no Douro onde lhe chamam Tinta amarela, que tem maior incidência.
Conhecida pelas
dificuldades que apresentam anualmente a quem a produz, a Trincadeira, de
cachos grandes e fechados é extremamente sensível à podridão, de folhas grandes
e numerosas impede a circulação de ar ao redor do cacho, favorecendo o
desenvolvimento do fungo. Trabalhosa mas, se bem conduzida, generosa, a
Trincadeira privilegia solos pobres, escassez de recursos hídricos e vegetação
condicionada. É sob estas condições que revela as suas potencialidades
oferecendo-nos vinhos elegantes, equilibrados, de uma acidez perfeita, taninos
equilibrados e exuberante de aromas a ameixa, amora e algumas nuances de
vegetal. Pode dar corpo a vinhos de lote ou, se na seu apogeu, como monocasta
marcante e, com grande capacidade de envelhecimento.
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
A que cheiram as nossas castas - Aragonez
Aragonez
Talvez a casta com
maior representatividade no Alentejo, o Aragonez é disputado entre Portugal e
Espanha, sendo que a sua origem é efectivamente espanhola, onde responde pelo
nome de Tempranillo (na região de Rioja). São-lhe conhecidas outras sinonímias,
quer do lado de Espanha (Cencibel em La Mancha, Tinta de Toro em Toro, Tinto
Fino em Ribera del Duero e Tinta de Madrid em Madrid), quer em Portugal, como é
o caso do Dão e Douro onde é conhecida por Tinta Roriz e em Lisboa, onde
responde por Abundante. Fazendo parte da maior parte dos encepamentos para o
Vinho do Douro e Porto, revela-se uma casta de grande aptidão vitícola e
enológica.
No Alentejo, o
Aragonez faz parte da maioria dos encepamentos da região, manifestando as suas
melhores características e capacidades produtivas. Abundante de nome e de
produtividade o Aragonês agrada a todos, pela já referida capacidade produtiva,
pela excelente adaptação ao clima e solos do Alentejo, retribui o berço,
oferecendo-nos vinhos extremamente elegantes e frutados, macios, equilibrados e
de elevada capacidade de guarda. Excelentes vinhos de lote mas, com um
comportamento irreprimível em monovarietais onde, expressa a sua
individualidade com aromas a ameixa madura, notas de especiarias e um ligeiro
herbáceo, evoluindo para aromas de compotas, baunilha, café e fumo.
A que cheiram as castas portuguesas - Touriga Nacional
Touriga Nacional
O fenómeno Touriga
Nacional, tem nos últimos anos levado uma casta que, após filoxera perdeu um
pouco do seu encanto, ao estrelato das castas nacionais mais cobiçada
internacionalmente.
Resultante de um
melhoramento genético, que corrigiu a fraca e inconsistente produtividade da
Touriga Nacional, esta aparece novamente no cenário vitícola com comportamento
singular, apreciada por quase todos, a Touriga Nacional deixa as suas regiões
de origem, Dão e Douro, para se espalhar um pouco por todo o lado, desde o
norte ao Algarve, desde Portugal a Espanha, África do Sul, Austrália e
Califórnia.
Intensa na cor, de
personalidade forte e marcante, aromaticamente exuberante, a Touriga tem
despertado a curiosidade de viticultores e enólogos. Também conhecida como
Preto de Mortágua, Mortágua, Tourigo antigo e Tourigo, já não há nome que a não
identifique com a famosa Touriga Nacional. Chegou para ficar, veio brindar-nos
com vinhos marcantes, carregados de cor, libertando por onde passa, aromas
frutados, florais, trazendo vinhos equilibrados, alcoólicos de excelente capacidade
de envelhecimento.
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terça-feira, 8 de novembro de 2011
A Cabernet Sauvignon e o aroma vegetal
Cabernet Sauvignon
A extraordinária Cabernet Sauvignon pode ser considerada atualmente como a rainha das castas tintas, marcando presença em todas as regiões do mundo.
A extraordinária Cabernet Sauvignon pode ser considerada atualmente como a rainha das castas tintas, marcando presença em todas as regiões do mundo.
De cor intensa, bagos pequenos e de uma enorme riqueza em taninos a Cabernet Sauvignon é também conhecida pela sua resistência ao ataque de doenças e baixa produtividade.
Produz vinhos intensos, encorpados, marcados pela intensidade dos taninos, resultante em parte pela baixa relação entre polpa e película. De elevada densidade e textura os vinhos da Cabernet Sauvignon são cobiçados por quase todos os produtores mundiais, em França na região do Médoc, onde é utilizada pelos mais famosos Chateâux – Lafite Latour, Margaux, Mounton-Rothschild, no Chile, Itália, Austrália e Bulgária, entre outros.
No Alentejo a casta tem tido resultados extraordinários, perfeitamente adaptada ao clima, a Cabernet Sauvignon é utilizada por muitos produtores, quer em lote como na produção de monocastas, onde podemos apreciar as verdadeiras capacidades desta “francesa do mundo”.
Dotada de uma excelente capacidade de envelhecimento, o tempo permite-lhe atenuar a firmeza dos taninos, resultando em vinhos encorpados, estruturados e macios, dignos da melhor garrafa.
Detentora de uma gama aromática invejável, a Cabernet Sauvignon liberta numa primeira fase, aromas a groselha preta, cassis, especiarias e ameixa preta evoluindo para aromas a carne de caça, couro e chocolate. Quando em contato com a madeira as nuances manifestam-se como cedro, tabaco e algumas notas minerais. Em climas mais frios ou, quando vindimada precocemente poderá exibir notas intensas a pimento verde, conferindo-lhe um forte sabor amargo.
Vegetal
Os aromas vegetais caraterizam-se por odores a verde, folhas verdes e erva cortada, ou ainda a feijão verde, pepino, pimento e ervilha.
De entre os aromas vegetais, os que fazem lembrar erva cortada, relva, são frequentemente sinal de vindimas mal elaboradas, uvas demasiado esmagadas ou não devidamente amadurecidas. Quando presentes em vinhos evoluídos anunciam decrepitude ou velhice, ainda que continuem a ser considerados aromas primários.
Caso estejam presentes nos vinhos brancos secos, poderá ser sinal de um excesso de maceração, de um excesso de contato com as grainhas na qual ocorreu uma extração excessiva dos elementos amargos e adstringentes, que são transferidos para o vinho.
No entanto, nem todos os aromas herbáceos são considerados defeitos. As notas verdes de tabaco, café verde, pimento verde, espargos, feto, hera, folha de groselha ou funcho, são notas aromáticas bastante agradáveis nos vinhos, conferindo-lhes elegância e vivacidade.
As castas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Trincadeira libertam aromas vegetais a pimento verde bastante agradáveis, que lhe conferem vida e energia.
As substâncias químicas responsáveis por estes aromas são: cis-3-hexanol, para aromas herbáceo e, a trans-2-hexanal para aromas a maçã verde.
A casta Alicante Bouschet e o aroma a ameixa
Apesar de não ser oficialmente uma casta portuguesa, a verdade é que está de tal forma enraizada no nosso país e, concretamente no Alentejo, que atualmente a assumimos como nossa.
De origem francesa, mais propriamente da região de Languedoc, nasceu do cruzamento entre a Petit Bouschet e a Grenache. Deste casamento nasceu uma casta tintureira, retinta como lhe chamam no Alentejo, que proporciona aos seus vinhos além da sua cor, estrutura, firmeza e uma enorme riqueza de taninos.
Utilizada maioritariamente em vinhos de lote, permite transmitir ao blend uma cor carregada, profunda além de um enorme aporte em estrutura e corpo.
Das poucas vezes que é engarrafada só, saem vinhos intensos, estruturados, com uma enorme capacidade de envelhecimento.
Relativamente às notas aromáticas, podemos distinguir os agradáveis frutos silvestres, ameixa, com nuances vegetais e, não são raras as vezes em que exibe aromas a azeitona. Quando evoluída os seus aromas convergem fundamentalmente para compotas e cacau.
Ameixa/Passa de Ameixa
Os aromas que evocam a ameixa podem ser encontrados nos vinhos tintos, jovens no caso da ameixa mais ou menos verde ou, vinhos evoluídos ou vinho do Porto, no caso de evocarem a passa de ameixa.
Quando as notas se desprendem sob a forma de fruta verde, o aroma a ameixa é bastante agradável, indicando juventude, podendo ser encontrados em vinhos elaborados a partir da casta Castelão, quando bem amadurecida sob o sol intenso do Alentejo.
Por outro lado, as notas que nos remetem para a passa de ameixa, estas estão presentes em vinhos tintos evoluídos que, na sua generalidade já atingiram o seu apogeu encontrando-se agora num estado de decrepitude, ou como sinal de oxidação ou defeito provocado por uma rolha defeituosa.
A casta Grenache é particularmente rica neste aroma, que se manifesta em associação com os aromas a laranja, pimenta e figo, notório em alguns vinhos franceses da região de Moulin-à-Vent.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
A Casta Viognier e o aroma a rosas
Viognier
A Viognier é uma casta branca de origem francesa, oriunda de Condrieu, uma pequena denominação de origem, apelidada de Château-Grillet, famosa pelos seus vinhos de elevada qualidade e, com a particularidade de pertencer a um único produtor.
Conhecida pela sua baixa produtividade, confere aos seus vinhos um elevado teor alcoólico.
Atualmente também se cultiva Viognier em Itália, Califórnia, América do Sul e Austrália. Em Portugal a casta começa a ganhar espaço pelas suas nuances aromáticas a flores.
A par da sua intensidade aromática floral, os aromas a pêssego, canela, gengibre, manteiga, mel e limão, fazem desta casta uma das procuradas pela sua exuberância olfativa, enriquecedora dos seus vinhos.
Rosas
O aroma floral de rosas, presente em grande quantidade na casta Moscatel, na região do Douro (Favaios e Alijó), ou na região de Setúbal, é sinal de elegância e complexidade, aparecendo frequentemente associado a aromas de baunilha e mel.
Além dos doces naturais, este delicado aroma também se pode manifestar nos brancos secos, elaborados com a casta Fernão Pires, ou então em tintos envelhecidos.
Embora não muito frequentemente, é bastante agradável quando nos deparamos com este subtil aroma proveniente da Cabernet Sauvignon, em vinhos envelhecidos das regiões de Bordéus ou Borgonha. Excepcionalmente em alguns Beaujolais Noveau, o aroma a rosa marca presença de uma forma elegante e complexa.
Substâncias químicas: Nerol, Rodinol, Geraniol e Linanol.
A Gewurztraminer e o aroma a canela
Gewurztraminer
Resultante do cruzamento entre uma parente italiana, a “Traminer” originária de Alsácia, conferiram-lhe o prefixo “Gewuz”, ou seja, especiarias em alemão, em tributo às suas extraordinárias a notas aromáticas.
Apesar de ser considerada uma casta branca, os seus bagos apresentam-se de vermelho claro, resultante de uma mutação natural que tem sofrido ao longo dos anos, quer ao nível da cor quer no enriquecimento aromático.
É caraterizada por apresentar baixa acidez, permitindo o seu consumo logo desde muito jovem.
Produzida atualmente nas mais diversas partes do globo como, Alsásia, Estados Unidos, Nova Zelândia, Espanha e Alemanha.
As notas aromáticas que caraterizam a casta são essencialmente: a lichia, o pêssego, o gengibre, o cravinho, talco, rosas, violeta e o jasmim.
Canela
O aroma a canela pode apresentar-se como um aroma primário caraterístico de determinadas castas ou, mais frequentemente resultante de um elevado índice de maturação ou estágio em madeira.
Entre os vinhos, os elaborados com a casta Syrah, Merlot ou Grenache, exibem notavelmente este caráter distintivo, nos brancos os elaborados preferencialmente à base de Chenin Blanc, Riesling ou Gewurztraminer, Loureiro ou Moscatel, libertam um intenso aroma a canela.
Entre os vinhos doces e secos, elaborados a partir da casta Moscatel, podemos encontrar uma belíssima fragrância a rosas associada a canela, formando um bouquet bastante complexo de passas de fruta, gerânio, flor de laranjeira, frutos exóticos e mel.
O aroma a canela pode revelar-se nos vinhos brancos e tintos, como sinal de estágio em madeira, fruto de uma excelente evolução e sinal de elevada qualidade.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Casta Semillon e o aroma a damasco
Semillon
Originária do sul de França na região de Bordeaux, a casta Semillon produz, quer vinhos brancos secos, quer os famosos doces finos resultantes de podridão nobre. Devido à sua fina película o ataque do fungo botrytis, responsável pela podridão, encontra na casta condições ótimas à sua penetração. É a partir destes ataques tardios de Outono, que se colhem as uvas apodrecidas para a elaboração dos famosos “Sauternes”, fazendo blend em cerca de 80% com a Sauvignon Blanc, proporcionando vinhos encorpados de acidez média, o que lhes permite amadurecer durante décadas.
Expandida pelos quatro cantos do mundo a Semillon ocupava à umas décadas cerca de 90% dos encepamentos na África do Sul, atualmente perdeu terreno para as suas congéneres Chardonnay e Sauvignon Blanc.
É também cultivada na Argentina, Chile, Nova Zelândia e Austrália, onde é conhecida por Hunter Riesling.
Com aromas minerais, a lima e madeira, esta casta proporciona vinhos untuosos e elegantes.
Relativamente aos aromas e, no caso dos vinhos secos, sobressaem notas de mel e lima, particularmente na Austrália esta casta liberta aromas a madeira, mesmo quando não contatou com ela.
No caso dos vinhos doces a casta revela aromas a frutos exóticos, como o pêssego e o damasco conjugados com notas de açúcar, mel e baunilha.
Damasco
Os aromas a damasco maduro manifestam-se em vinhos brancos secos maduros, licorosos ou resultantes da podridão nobre.
Pertencente ainda à família da videira o damasco tem uma intensidade aromática bastante elevada e diversificada, especialmente numa fase de maturação avançada.
Os aromas refletem estados de evolução avançada, pelo que as nuances que liberta, nunca serão de um fruto verde e áspero, mas sim, de doce, maduro e por vezes confitado ou compota.
Neste último caso estes aromas ressaltam nos vinhos licorosos, associados com notas florais de acácia, rosa e mel.
Frequente nos vinhos de Moscatel, Riesling, Sauternes e Gewurztraminer, desde que evoluídos.
As substância química responsável pelo aroma a damasco é a undecalactona.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
A Sauvignon Blanc e o aroma a "chichi de gato"
Sauvignon Blanc
A Sauvignon Blanc, originária de França e, com maior expressão nas regiões de Sancerre e Pouilly-Fumé, confere aos seus vinhos uma cor pálida, fraca e ácida mas, dotada de um caráter aromático inebriante.
Foi mal amada durante muitos anos, pela sua aparência “deslavada”, no entanto, e felizmente, hoje são-lhe reconhecidas as suas verdadeiras potencialidades.
Melhor adaptada a climas mais frios onde liberta aromas distintos a fruta madura, fumo, vapor de café, os climas mais quentes apagam um pouco a sua exuberância aromática.
Adotada pela Nova Zelândia, onde a casta liberta agradáveis aromas a frutos maduros, um dos seus maiores atributos, é na Califórnia que ela se torna mais versátil, com a elaboração de um seco, a que podemos chamar de “doce aparente” estagiado em madeira.
A região de Bordeaux utiliza na quase maioria dos seus vinhos a Sauvignon Blanc, revelando intensos aromas frutados a cássis, tarte de maçã ou pêra, com algumas notas de fruta exótica como o melão, a manga e o maracujá, conjugada com notas vegetais de ervilha, espargos e pimento verde, estes últimos mais notórios nos vinhos de Nova Zelândia.
Em climas mais quentes o seu perfil aromático altera-se dando origem a notas de couro, animal, chichi de gato e fumado.
Aroma a "Chichi de Gato"
A nota olfativa a que vulgarmente chamamos de “chichi de gato” não é propriamente o cheiro de urina, mas sim um aroma de caráter vegetal próprio de algumas plantas e arbustos, como o buxo, a valeriana.
Detetável nos vinhos num nível de perceção bastante baixo, é característico dos vinhos brancos secos novos, podendo ser um aroma primário caraterístico de algumas castas, como a Sauvignon Blanc, ou ainda como indicador de uma fermentação incompleta. Nesta ultima situação, o aroma é acompanhado de um elevado índice de açúcar residual, com algum gás carbónico e ainda associado a um aroma de leveduras.
Normalmente este aroma é reflexo de uma vindima precoce, onde sobressaem os aromas herbáceos, no entanto, se bem desenhado, o vinho poderá libertar estes aromas de uma forma graciosa e bastante agradável, exibindo como complemento suaves nuances frutadas e vegetais.
De origem francesa, a Sauvignon Blanc encontra-se um pouco por todo o mundo desde Espanha, à Austrália, passando pela Nova Zelândia, Chile e um pouco por Portugal.
As substâncias químicas responsáveis pelo aroma a chichi de gato são: 4-metoxi-2-metil-2-mercaptobutano, sendo a substância 4-metoxi-4-metilpentano-2-ona, responsável pelo aroma a buxo.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Chardonnay e o aroma a limão
Chardonnay
Reconhecida e apreciada a nível internacional, a Chardonnay é uma casta muito versátil permitindo a obtenção de vinhos com diferentes aromas e sabores.
Utilizada para a produção de vinhos brancos secos, espumantes e do famoso champanhe, a Chardonnay encontra-se atualmente disseminada por quase todo o mundo.
Originária da região francesa da Borgonha, é atualmente instalada nas mais diversas regiões, podendo ser encontrada em quantidades relevantes nos Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia. Em Portugal a casta começa a dar os primeiros passos, com resultados também extraordinários, nos vinhos brancos secos.
Com uma enorme afinidade para a madeira, a casta proporciona vinhos cremosos, com aromas e sabores amanteigados libertando aromas a fumo e tostado. Já em inox o seu comportamento não é tão fascinante, aqui apresenta essencialmente aromas a limão ácido, é muitas vezes utilizada em blend com outras castas.
De origem francesa é o ex-libris das regiões de Borgonha, seu berço de origem, Chablis, Beaujolais e Champanhe, proporcionando vinhos com características bastante distintas.
Em Portugal e no Alentejo, talvez fruto dos verões quentes e secos a Chardonnay é bastante complexa e agradável, permitindo dar corpo e untuosidade aos brancos alentejanos.
Os aromas que liberta, fruto do terroir e das técnicas de fermentação e produção, são bastante distintos. Podemos encontrar aromas a maçã, limão e pêra em vinhos elaborados em inox, enquanto vinificada ou estagiada em madeira os aromas exalados por esta casta são de manteiga fundida, noz-moscada, baunilha, limão fumo, madeira, aveia e doce de manteiga.
Limão
O limão é um aroma que sugere frescura e limpeza, assinalando a presença de acidez dos vinhos. Presente nos vinhos brancos secos, muito frequentemente na região dos Vinhos Verdes, e outras caracterizadas por climas mais frios, é também caraterística da casta Chardonnay, quando vinificada em inox.
O aroma a limão aparece muitas vezes associado a outras gamas aromáticas, como o tostado e torrado, frutos de polpa branca ( pêra, maçã e pêssego), frutos exóticos ( ananás, lichia e manga) e a outros citrinos (laranja, toranja e tangerina), combinadas muitas vezes com agradáveis aromas florais.
Pertencente à família dos aromas cítricos, o aroma a limão difere em muito dos outros “parentes”. As notas doces e subtis da laranja são bastante distintas das notas ácidas e amargas do limão, as notas de tangerina associadas também ao doce, encontrada frequentemente no Moscatel em tudo difere do limão ácido, mais próxima está a toranja que embora com um caráter marcadamente ácido ganha ao limão pela sua intensidade aromática.
As substâncias químicas que conferem o aroma a limão são o ácido cítrico e o citroneol.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Mudam-se os nomes ...
Prosecco não… Glera!
Prosecco é, desculpem, era, uma casta branca de origem italiana, originária da região de Veneto. Muito utilizada na produção de espumantes, conhecida pelos seus aromas delicados, os vinhos Prosecco, eram produzidos segundo o método Charmat, o que lhes conferia a vantagem de desde logo muito cedo, estarem aptos ao consumo, mantendo a vantagem de preservar as suas capacidades de envelhecimento.
Como inúmeras castas italianas, a Prosecco atravessou fronteiras e, atualmente encontra-se disseminada por todo o mundo vitivinícola, como é o caso do Brasil. Muito apreciada neste país os espumantes Prosecco têm um comportamento bastante agradável, originando espumantes bastante frescos e acídulos a preços bastante apelativos.
Desde 2009 que o “nome” Prosecco está protegido. De nome de casta a Denominação de Origem Controlada (DOCG), o nome Prosecco é agora de utilização restrita, apenas para vinhos do Northern Italian Prosecco, sob as denominações de Prosecco di Conegliano – Valdobbiadere, Prosecco di Conegliano e Prosecco di Valdobbiadere.
Atualmente e, para quem procura o espumante da referida casta terão que procurar por espumantes elaborados com Glera, novo nome adotado para a mesma. Os vinhos continuam a existir, estão disponíveis no mercado mas, sob a denominação de Glera, como sua principal, se não exclusiva, casta.
Quanto ao nome Prosecco, ficará como embaixador de uma região.
Trocas e beldrocas que, tantas e tantas vezes confundem o consumidor! Esperamos ter ajudado de alguma forma!
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