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quarta-feira, 7 de março de 2012

As Infestantes e o seu controlo



As infestantes são consideradas inimigos chave da vinha por poderem causar sistematicamente, importantes prejuízos em virtude da enorme competição com as cepas, para a água e nutrientes existentes no solo, em particular nos períodos críticos de maior desenvolvimento vegetativo, podendo traduzir-se na diminuição do crescimento das novas vinhas e na redução da quantidade e qualidade da produção.
As infestantes podem também, por vezes, ter o inconveniente de serem hospedeiras de pragas, como ácaros tetraniquídeos e outras pragas polífagas, como a pirale e de fomentar um ambiente demasiado húmido, favorável ao desenvolvimento de doenças como míldio, podridão cinzenta ou oídio.
A presença de infestantes na vinha pode contudo, ser útil e desejável como hospedeiras de auxiliares responsáveis pela limitação natural das pragas em geral e, em particular de cochonilhas, cigarrinha verde e pirale.
Infestantes leguminosas como trevos, ervilhacas, serradelas e luzernas podem ser úteis pela sua capacidade de fixação de azoto atmosférico e consequente enriquecimento da fertilidade do solo.
Além disso possibilitam o aumento do teor de fósforo em profundidade no solo, nomeadamente pela decomposição das raízes, disponibilizando o fósforo em forma facilmente absorvida pelas raízes da videira.
A manutenção de infestantes, em especial durante o Inverno contribui para diminuir a perda de azoto por lavagem.
Também podem contribuir para um aumento do teor de matéria orgânica no solo, para melhorar as propriedades físicas e favorecer o aumento das populações de decompositores como as minhocas.
A presença das infestantes contribui também para a melhoria da estrutura e porosidade do solo, com os consequentes benefícios sobre o arejamento, a capacidade de drenagem e armazenamento de água. Deste modo, verifica-se a redução da erosão resultante do escorrimento da água á superfície.

Estratégias no combate às infestantes da vinha:

- Mobilização do solo em toda a superfície;
- Mobilização da linha e herbicida na entre-linha;
- Mobilização do solo, alternando anualmente com herbicida;
- Não mobilização com recurso a herbicida;
- Enrelvamento do solo, durante Outono- Inverno e nalguns casos permanente

A Primavera está quase a chegar e, para quem ainda não fez a aplicação de herbicida deverá fazê-lo na primeira oportunidade.

No próximo artigo, serão abordados os herbicidas e sua forma de acção na cultura e nas infestantes, bem como a listagem das substâncias activas homologadas para a Protecção Integrada da Vinha para 2012.





quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O entendimento da Videira e da Viticultura

Temos falado ao longo dos tempos sobre o vinho, as suas características, benefícios e a sua prova. Fato é que além das castas, pouca importância temos dado à viticultura e à planta da videira, principal responsável e "mãe" do vinho.
Tomados por essa consciência criámos uma página sobre viticultura que, completaremos ao longo do tempo.
A Videira, sua morfologia, fisiologia, técnicas de poda e principais doenças e pragas, vão constar como informação para que percebamos a importância e complexidade desta atividade que culmina no nosso conhecido VINHO.


Morfologia da videira






A Raiz
Parte subterrânea da planta, tem como funções a fixação da planta ao solo, absorção de água e nutrientes, fazendo desta a principal fonte de alimentação da planta, bem como o transporte da seiva bruta e acumulação de reservas.
A parte aérea da videira é constituída por:
Tronco
Como principal suporte da parte aérea da planta o tronco sustenta-a, acumula reservas e permite o transporte da seiva bruta e elaborada a todas as partes da planta.

Braços
Os braços formados a partir do tronco, são constituídos pelos talões que no ano que rebentam emitem pâmpanos – ramos herbáceos do ano - que se convertem em sarmentos ou varas, com folhas, gavinhas, flores e mais tarde frutos.

Folhas
As folhas são compostas pelo pecíolo e pelo limbo, que contém as nervuras com as mais variadíssimas formas.
As folhas são órgãos extremamente importantes para a vida da planta. São responsáveis pela fotossíntese, na qual a planta transforma dióxido de carbono em oxigénio. Regulam a temperatura da planta pela, respiração e transpiração. Absorvem nutrientes e água provenientes de adubações foliares.
Gavinhas
A origem das gavinhas é a mesma das inflorescências podendo mesmo considerar-se uma inflorescência estéril. Estas ocupam a mesma posição, no nó do pâmpano e no lado oposto das folhas sendo frequente apresentarem botões florais. A extremidade das gavinhas livres enrolam formando uma espécie de espiral, sobre si mesma e, quando encontram um tutor ligam-se a este. A gavinha enquanto não se enrola permanece verde mas a partir do momento que se liga ao tutor lenhifica e ampara a vara

Flores
As flores agrupam-se como inflorescências em cachos e a sua conformação é realizada dentro dos gomos férteis.
Trata-se de uma flor hermafrodita formada essencialmente por pedúnculo, vaso onde circula a seiva bruta e elaborada, que permite a maturação da flor aquando da fecundação que depois dará origem ao fruto.
Cacho
Terminada a fecundação, a flor dá origem ao fruto – bago - que irá crescer rapidamente. Este é constituído pela película, que envolve todo o bago, pelas sementes e como prolongamento dos canais e onde circula a seiva o pincel e a polpa – que corresponde à zona onde está o mosto, que posteriormente irá originar o vinho.
Sementes ou graínhas
As sementes da videira servem para a propagação da videira.
São muito ricas em taninos, que conferem ao vinho um sabor característico.