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domingo, 3 de março de 2013

DONA DORINDA | SYRAH 2011

Há coisas assim, que nascem como que abençoadas desde o início.



A começar pelo nome, a Quinta "Nossa Senhora da Conceição", é abençoada desde o baptismo, até à sua localização. Situada às portas do "Céu", com os Monges Cartuxos como vizinhos, a quinta assenta em solos alentejanos, mesmo à saída de Évora. De lá avista-se a cidade, ouvem-se os monges na sua oração, e ainda se avista todo o esplendor de céu que a nossa vista alcança.

Integrada no curso de Agricultura Biológica, a visita à Quinta deixou-me maravilhada. As práticas de agricultura biológica, integradas sempre que possível com Agricultura biodinâmica, revelaram-se uma verdadeira experiência de novas, ou ancestrais melhor dizendo, técnicas de produção, visando sempre a preservação da natureza como um seu todo. A diodiversidade, a escolha de variedades tradicionais no pomar recém instalado, bem como a sua horta, com os legumes mais propícios à época, permitiram a todos os que a visitaram desmistificar, para quem ainda é reticente a estas práticas, o conceito e a prática de uma agricultura, que aos poucos vem ganhando espaço numa tentativa de corrigir erros e praticar uma agricultura mais saudável e mais próxima do "divino".








Alinhada com as estrelas, a vinha com cerca de dois hectares, encontra-se instalada em forma de "meia-lua", chamando a si as boas energias que o Universo tem para nos oferecer.

E deixem-me dizer-vos que, a comprovar toda esta ligação, conectividade, energia e proximidade com a "Terra", está o vinho "Dona Dorinda". Do ano de 2011 este monocasta de syrah é estrondoso!

Um vinho encorpado de cor ruby escuro, carregado e profundo, liberta inebriantes aromas a frutos silvestres, amoras e bagas vermelhas, um sedoso toque abaunilhado, tudo isto conjugado com estrema elegância e equilíbrio. Sobressaem ainda notas a especiarias e na boca, bastante volumoso, sedoso onde o vegetal ainda se encontra presente. Neste caso vou arriscar dizer que com apenas 2 anos de idade este vinho promete e a idade irá certamente amadurecê-lo e torná-lo num ícone.

Será apenas engarrafado neste ano e infelizmente, penso que não o voltarei a provar, uma vez que a sua comercialização se destina exclusivamente ao mercado dos Estados Unidos, terra-mãe dos proprietários do Valbom do Rouxinol, denominação social da empresa.

A quem o encontrar recomendo vivamente que não perca a oportunidade de o provar.

Dados:
Dona Dorinda 2011
Casta: Syrah
Alcool: 16%
Designação: Regional Alentejano

Empresa: Valbom do Rouxinol, Lda
Morada: Quinta Nossa Srª da Conceição | 7000 Évora | Alentejo | Portugal
Contacto: v261076@gmail.com


Da minha parte, fica desde já um muito obrigado por esta visita  e despeço-me com um ATÉ BREVE!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

FUNDAÇÃO EUGÉNIO DE ALMEIDA


 Integrado no curso de certificação de técnicos em Produção Integrada de vinha, o grupo da PRODI, partiu rumo à Fundação Eugénio de Almeida- FEA-Évora. 
Com o objetivo de visitar um produtor que respeitasse e cumprisse as normas de Produção Integrada de Vinha, a escolha recaiu sobre a FEA, empresa que há muito vem sendo referência para técnicos, produtores e consumidores.
 Pelo respeito e conservação do saber tradicional, aliado às mais avançadas técnicas vitícolas: rega, controlo de infestantes e fitossanidade da videira, a FEA, assume um compromisso de produção de vinhos de elevada qualidade, respeitando a natureza, que generosamente lhe oferece as melhores condições de solo e clima.
Ao longo dos seus 450 hectares de vinha, todos os trabalhos são planeados e executados de forma criteriosa, com a finalidade de obter a máxima expressão das castas que assentam sobre estes generosos solos. Maioritariamente compostas por castas nacionais, cerca de dois terços são compostos por variedades tintas, onde se destacam as autorizadas para a produção de DOC Alentejo para a região de Évora: Aragonez, Trincadeira, Castelão e Tinta Caiada. Nas brancas, predominam as tradicionais Síria (Roupeiro), Antão Vaz e Arinto.
Destacando-se pela diferenciação e consciência, de que uma agricultura conservadora é sem dúvida uma mais-valia para esta natureza, que a cada ano nos presenteia com produtos de elevada qualidade, a FEA encontra-se em processo de reconversão para agricultura biológica, tendo atualmente cerca de 45 hectares mantidos sob este método de produção.
Após visita às várias vinhas da FEA a tarde espreita e o calor aperta, fazendo-nos lembrar que está na hora de descansar um pouco.



Termina visita às vinhas, mas não à FEA!
Assim deslocamo-nos ao wine bar da FEA, onde nos deliciamos com um refrescante e agradável “Espumante Bruto- Cartuxa” de 2009.




“Espumante Bruto- Cartuxa” de 2009- Elaborado exclusivamente a partir da casta Arinto, seguindo o método tradicional e posterior estágio em madeira, apresenta-se fino, elegante e equilibrado. Com aromas que fazem lembrar os lacticínios, destacam-se notas de frutos secos e madeira. Na boca “brincamos com as bolhinhas” e deliciamo-nos com as agradáveis nuances a frutos secos.




Entre uma tábua de queijos e enchidos regionais, eis que aparece na mesa o Cartuxa tinto 2008. Adormecidas durante 8 meses no interior da garrafa, as castas Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet despertam agora numa nova atmosfera. Damos-lhe um tempinho para que possam “respirar”! Libertados os aromas, sentimos suaves apontamentos de frutos vermelhos, acompanhados de uns discretos tons de vegetal. Equilibrado, suave e delicado prolonga-se num agradável final de boca tostado, reflexo do seu estágio em madeira de carvalho.


A tarde termina e é chegada a hora de partir!
O nosso muito obrigado à FEA pela disponibilidade e simpatia com que nos recebeu!

Sobre a Fundação Eugénio de Almeida

Fundada em 1963 pelo Engª Vasco Maria Eugénio de Almeida, a FEA é uma instituição de direito privado e utilidade pública que tem como missão promover o desenvolvimento cultural, social e educativo da região de Évora.
Na sua vertente agrícola a FEA é constituída por diferentes propriedades, produzindo vinhos e azeite, sob denominação de Évora- Alentejo.

Quinta de Valbom




A antiga adega, originalmente Casa de repouso da Companhia de Jesus, é atualmente centro de estágio dos vinhos da FEA.
É também aqui que, desde 1598, no Convento de Santa Maria de Scala Coeli, os monges Cartuxos levam uma vida de solitária de reflexão e oração. Por vezes quando o silêncio se instala dos trabalhos da adega, podemos ouvir os seus cânticos, suaves, harmoniosos que nos remetem a fantasias de outros tempos e locais.
Foi em homenagem aos Monges Cartuxos e ao Convento de Santa Maria Scala Coeli (“escada para o Céu”), que a Fundação apelidou os seus memoráveis vinhos de: Cartuxa e Scala Coeli.
Mais recentemente a Quinta do Valbom é polo de enoturismo, cativando os seus clientes e visitantes com a abertura do Wine Bar. Espaço agradável, simples, elegante onde se podem provar os vinhos e azeites da fundação.

Herdade de Pinheiros

Aqui a paisagem perde-se de vista pelas vastas tonalidades acastanhadas que contrastam com o verde das vinhas.


A Herdade de Pinheiros é agora terra mãe da nova adega. Estrutura majestosa, moderna e extremamente bem equipada, faz face aos 3 milhões de garrafas que a FEA produz anualmente.
Construída a 7 metros de profundidade e equipada com um sistema de frio integral, a adega permite a movimentação e transferência de massas, totalmente por gravidade. O sistema de refrigeração e triagem das uvas encontra-se dividido em várias fases, permitindo uma escolha efetiva das uvas de melhor qualidade.

Marcas

As marcas disponíveis no mercado são: Pêra-Manca, Scala Coeli, Cartuxa, Foral de Évora, EA e o primeiro espumante DOC do Alentejo-Espumante Cartuxa.





segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Fidúcia Reserva

Do produtor Miguel Eloy Prazeres, sediado no Alentejo, o Fidúcia Reserva - Shyraz em prova, é um alentejano com "sotaque" francês. Elaborado exclusivamente com base na casta Shiraz, revelou-se na prova com características muito próprias da casta francesa que, tão bem se adaptou ao Alentejo. Fruto do nosso clima específico de verões quentes e secos, e de solos pobres na sua generalidade, imprimem aos vinhos uma complexidade, corpo e estrutura muito próprios. 
Com uma produção que ronda as 3000 garrafas/ano, tive o prazer de provar os anos de 2006 e 2007.


Fidúcia Reserva- Shiraz 2006


De aspecto límpido e profundidade média (próprio de um monocasta de shiraz), apresentou-se vestido de um granada escuro onde sobressaíam ligeiras tonalidades acastanhadas, denunciando a sua idade.
 Exalava aromas intensos a frutos vermelhos (ainda) e um ligeiro toque herbáceo. Com o tempo e após deixar "respirar", libertou suaves nuances adocicados e um suave café.
De sabor macio, amadeirado, os aromas de boca acrescentaram maturação ao vinho, libertando aromas a compotas e um ligeiro herbáceo.
De persistência e corpo médio é um agradável vinho para o dia a dia.


Fidúcia Reserva- Shiraz 2007


Comprovando, ou pelo menos tentando, de que a idade vai efectivamente alterando o vinho nos seus aromas e sabores primários, este vinho de 2007, revelou-se mais vivo e  adstringente (ainda que ligeiramente), que o anterior. Com menos um ano, as diferenças a apontar não são de todo relevantes para a evolução. De cor em muito semelhante ao anterior e contrariamente ao esperado este 2007 apresentou-se com tonalidades castanhas bem mais marcantes. Nos aromas prevaleceram os frutos vermelhos e herbáceos, na boca pareceu-me bem mais agradável que o anterior, como que resultante de um estágio ou evolução mais benéfica para o vinho.
Mais "vivo" e complexo na boca, de corpo médio é um vinho bastante agradável para acompanhar com peças de caça ou carne à alentejana não muito condimentada.


No seu geral pareceram-me vinhos elegantes, discretos e suaves, ideais para consumir no dia a dia, sós ou acompanhados com comida regional, desde que não muito condimentada.




Produtor: Miguel Eloy Prazeres
Ano: 2006/2007
Alcool: 13%
Casta: Shiraz