terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Sauterne - Sainte- Helene


CHÂTEAU DE Ste HELENE - 2008

Da região de  BOURDEAUX , sub-região de SAUTERNE, este Château de Ste Helene, tem na sua constituição as castas Semillon, Sauvignon Blanc e Muscadelle.
Um Sauterne clássico, elaborado com uvas contaminadas com Botrytis Cinerea, apresentou-se vestido de âmbar. Com um aroma bastante complexo a mel, acácia, damasco, compota de laranja e baunilha.
Na boca deixa uma sensação doce logo acompanhada de acidez, revelando aromas de boca que fazem lembrar a passa de uva. Untuoso, intenso e elegante, muito ao género dos Sauternes.
Com a classificação de Grand Vin de Bordeaux, tem uma graduação alcoólica de 14%.

Pontuação: 16 valores

Um pouco mais sobre a Sub-região de Sauternes

A sul de Graves, goza de um clima seco e quente, com base num solo de características calcárias. Os vinhos brancos são fermentados a partir das castas Semillon, doces e de uma qualidade reforçada pela presença da botrytis cinerea.
Produzem-se maioritariamente vinhos brancos doces, de sobremesa, com cerca de 4,5 milhões de garrafas/ano, numa área de aproximadamente 1820 ha.

Charton La Fleur Rouge - Bordeaux - Médoc


CHARTON LA FLEUR ROUGE - 2003


Da região de BOURDEAUX, mais propriamente na sub-região de  MÉDOC, o vinho Charton la Fleur Rouge, elaborado a partir das castas Merlot e Cabernet Sauvignon, apresentou-se de tonalidade granada escura, reflexo da idade. Nos aromas inicialmente desprendeu suaves nuances florais- violeta e alguns frutados, quase bloqueados por notas mais marcantes a queimado, cacau, canela e alguma trufa e cogumelos. Suave na boca, de corpo médio, equilibrado e de elevada persistência.



Grau: 12%

Pontuação: 16 valores

Château Chasse Spleen e a região de Bordeaux


CHÂTEAU CHASSE SPLEEN-  2001

Da Região de  BOURDEAUX – MÉDOC, , é um vinho de aromas agradáveis a frutos vermelhos, cereja e framboesas, em estado muito maduro fazendo lembrar a compota. De cor granada escuro, na boca revela-se equilibrado, macio e estruturado persistindo numa agradável sensação frutada.
Grau: 13%

Pontuação: 16 valores




Um pouco mais sobre a região de Bourdeax e Médoc

Bordéus é, sem dúvida, a região vinícola mais prestigiada de França, com maior número de vinhos de alta qualidade. Situada a sudoeste, na costa da atlântica da França, junto à foz do rio Gironde estendendo-se em torno da cidade de Bordéus que lhe empresta o nome. As mais de 20 sub-regiões AOC de Bordéus distribuem-se em torno do "Y" formado pelo rio Gironde e seus afluentes, o rio Dordogne, ao norte, e o rio Garonne a sul.
Nenhuma região vinícola do mundo produz tantos vinhos de altíssima qualidade como Bordéus. A maioria deles são tintos, mas algumas sub-regiões bordalesas, como Sauternes e Barsac, possuem alguns dos melhores vinhos brancos do mundo.
Com cerca de 115 060 ha de vinha e 13 000 viticultores, é considerada a segunda maior região vitivinícola do mundo, sendo que a primeira, também francesa, é Languedoc com 249 995 ha.
Com uma produção anual de 700 milhões de garrafas, Bordéus produz inúmeros vinhos de mesa, bem como os mais prestigiados vinhos do mundo.
As principais sub-regiões de Bordeaux são: Médoc, Graves, Sauternes, Saint-Emilion, Pomerol. Das sub-regiões, apenas as 4 primeiras têm classificações oficiais, e produzem a maior parte dos vinhos de qualidade superior.
Castas principais:

Tintas: Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Petit Verdot.
Brancas: Sauvignon blanc, Sémillon, Muscadelle.

Segundo vários especialistas, a maior razão para o sucesso desta região, reside nos solos de origem calcária, conjuntamente com uma atmosfera húmida provocado pela proximidade dos rios Garonne e Dordogne.

Sub-região de Medoc

A região vitivinícola de Bordéus encontra-se dividida em cinco sub-regiões distintas e 57 denominações de origem (AOC).
A região do Medoc situa-se entre o oceano Atlântico e o estuário do rio Gironde. Caracterizada por solos de cascalho, criado ao longo dos anos sob uma base de argila pesada, tem como castas principais o Cabernet Sauvignon e Merlot.
A região produz cerca de 36 milhões de garrafas/ano, oriundas de 400 vinhas, dispersas numa área de 4 249 ha.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Moulin-à-Vent - 2007



Da região de  BOURGOGNE – BEAUJOLAIS- França, com a Classificação: CRU OF THE BEAUJOLAIS o vinho Moulin-à-Vent, foi elaborado a partir de uma das castas mais emblemáticas da região –a Gamay.



 De coloração rubi, com laivos acastanhados, libertou inebriantes aromas a frutos vermelhos, cereja, framboesa e banana, esta ultima derivada das técnicas fermentativas muito usadas na região- maceração carbónica, e notas de violeta que lhe conferem um perfume único.
No paladar revelou-se cheio de corpo, estruturado e ligeiros toques de madeira mantendo-se persistente num agradável final de boca
Ideal para acompanhar com carnes vermelhas grelhadas ou queijos com sabores robustos.



Um pouco mais sobre a região Borgogne e a sub região de Beaujolais


A Bourgogne, situada na região centro-leste do país, divide com Bordeaux o título de mais famosa região vinícola da França. A maioria das suas sub-regiões estende-se entre as cidades de Dijon, ao Norte e Lion, ao sul. A excepção, é a sub-região de Chablis, situada a noroeste de Dijon.
Ao contrário de Bordeaux, onde os tintos constituem a maioria dos vinhos mais famosos, a Borgonha possui um grande número de brancos de qualidade superior.
A Borgonha é uma das regiões mais encantadoras da Europa. A região combina uma beleza única com vinicultura, gastronomia e arquitectura medieval. Antes mesmo da França ser cristã, a Borgonha era um Ducado amplamente conhecido por sua vocação vinícola.
Com uma área de 31500 Km2, a Borgonha vive um clima que se caracteriza por Invernos bastante frios e Verões quentes.
Actualmente esta região produz cerca de 180 milhões de garrafas/ano com 99 denominações. Na verdade, cerca de 600 das suas vinhas detêm a classificação de Premier Cru e 33 Grand Cru, algumas com distinção dos melhores vinhos do mundo.
Finalmente no extremo sul do mapa, em direcção a cidade de Lyon, passamos pela grande região de Beaujolais. Uma região lindíssima com grande presença da casta Gamay.
Uma região bem distinta da Borgonha que construiu a fama de vinhos populares, fáceis, sem grandes mistérios. Vinhos de grande frescor, cítricos agradáveis. O máximo expoente da região é o Beaujolais Nouveau.

M. Chapoutier - La Bernardine




Um dos produtores de vinho mais prestigiados da região de Côtes du Rhone- França, mais propriamente da sub-região de Chateauneuf du Pape, M. Chapoutier, enveredou pela agricultura biodinâmica.



Detentor de algumas parcelas de vinha todas elas seguidas por técnicas precisas e tradicionais, faz deste vinho, um vinhos de características e qualidade muito especiais. A sua produção é bastante reduzida e dispendiosa só possível, para quem acredita que a qualidade e respeito pela natureza são mais valias preciosas e indispensáveis para uma agricultura sustentável e, no qual, o terroir se expressa na sua plenitude e originalidade.








La Bernardine 2005

Elaborado exclusivamente a partir da casta Grenache, este tinto revelou matizes granada escuro e de fortes nuances aromáticas a frutos vermelhos, amora e cereja preta,  já em estado avançado de maturação, lembrando compotas, seguido de apontamentos a chocolate. Na boca apresentou-se macio, equilibrado, de taninos muito suaves. Corpo robusto revelou no entanto um final de boca relativamente curto.






Um pouco mais sobre a região de Côtes du Rhone

Côtes du Rhône


A A.O.C. Côtes du Rhône é quase uma continuação da Borgogne, ao sul da cidade de Lion. A sua parte setentrional (norte) vai da cidade de Vienne até a cidade de Valence. A sua parte meridional (sul) estende-se de Valence até Avignon e também avança em direção sudeste até a Provence, alcalçando as vizinhanças das cidades de Nimes, Marseille e Aix-en-Provence. Em Côtes du Rhône produzem principalmente vinhos tintos, alguns rosés e também uma pequena quantidade de vinhos brancos.
Principais castas:
Tintas: Syrah, Cinsault, Grenache, Mourvèdre, Carignan, Counoise, Gamay, Pinot Noir, Viognier, Marsanne, Roussane, Bourboulenc, Clairette e Muscat.



Appellation d'origine contrôlée ou AOC é um certificado francês que leva em conta a localização geográfica da produção de certas culturas como vinhos, queijos, manteiga e outros, produtos agrícolas todos sob a fiscalização do Institut National des Appellations d'Origine (INAO), na dependência do Ministério da Agricultura francês.
Os vinhos certificados como AOC são produzidos em terroirs delimitados, muito conceituados e têm que satisfazer todas as normas de produção, definidas por decreto. Determina a tradição que eles estabeleçam os rendimentos, um grau mínimo de graduação alcoólica e condições de envelhecimento. São mais de 400 vinhos de denominação de origem controlada existentes em França. Entre os AOCs encontramos outras classificações como Supérieur, Premières Crus, Deuxièmes Crus, Crus Bourgeois e outros na região de Bordéus ou os Crus e Grands Crus da Borgonha.

Fidúcia Reserva

Do produtor Miguel Eloy Prazeres, sediado no Alentejo, o Fidúcia Reserva - Shyraz em prova, é um alentejano com "sotaque" francês. Elaborado exclusivamente com base na casta Shiraz, revelou-se na prova com características muito próprias da casta francesa que, tão bem se adaptou ao Alentejo. Fruto do nosso clima específico de verões quentes e secos, e de solos pobres na sua generalidade, imprimem aos vinhos uma complexidade, corpo e estrutura muito próprios. 
Com uma produção que ronda as 3000 garrafas/ano, tive o prazer de provar os anos de 2006 e 2007.


Fidúcia Reserva- Shiraz 2006


De aspecto límpido e profundidade média (próprio de um monocasta de shiraz), apresentou-se vestido de um granada escuro onde sobressaíam ligeiras tonalidades acastanhadas, denunciando a sua idade.
 Exalava aromas intensos a frutos vermelhos (ainda) e um ligeiro toque herbáceo. Com o tempo e após deixar "respirar", libertou suaves nuances adocicados e um suave café.
De sabor macio, amadeirado, os aromas de boca acrescentaram maturação ao vinho, libertando aromas a compotas e um ligeiro herbáceo.
De persistência e corpo médio é um agradável vinho para o dia a dia.


Fidúcia Reserva- Shiraz 2007


Comprovando, ou pelo menos tentando, de que a idade vai efectivamente alterando o vinho nos seus aromas e sabores primários, este vinho de 2007, revelou-se mais vivo e  adstringente (ainda que ligeiramente), que o anterior. Com menos um ano, as diferenças a apontar não são de todo relevantes para a evolução. De cor em muito semelhante ao anterior e contrariamente ao esperado este 2007 apresentou-se com tonalidades castanhas bem mais marcantes. Nos aromas prevaleceram os frutos vermelhos e herbáceos, na boca pareceu-me bem mais agradável que o anterior, como que resultante de um estágio ou evolução mais benéfica para o vinho.
Mais "vivo" e complexo na boca, de corpo médio é um vinho bastante agradável para acompanhar com peças de caça ou carne à alentejana não muito condimentada.


No seu geral pareceram-me vinhos elegantes, discretos e suaves, ideais para consumir no dia a dia, sós ou acompanhados com comida regional, desde que não muito condimentada.




Produtor: Miguel Eloy Prazeres
Ano: 2006/2007
Alcool: 13%
Casta: Shiraz

A que cheiram as castas portuguesas- Antão Vaz


Antão Vaz

 Uma das castas brancas com maior relevância na região do Alentejo, a Antão Vaz, nasceu e cresceu nesta zona. Embora sem certezas sobre a sua origem, facto é que faz parte da maioria dos encepamentos alentejanos, com maior incidência em Évora e Vidigueira.
Conhecida e adorada por todos, promove elevadas produções e forte resistência a doenças, indicando que o Alentejo é a sua casa. É aqui que se expressa na sua totalidade, conferindo aos seus vinhos, um agradável perfume, estrutura, firmeza e corpo.
Em condições adversas, esta casta, pode pontualmente, apresentar falta de acidez, que é sabiamente recomposta pela conjugação do blend Arinto e Roupeiro, podendo novamente expressar o seu agradável perfil aromático.
Enquanto “monocasta”, a Antão Vaz exibe notas aromáticas a fruta tropical madura, casca de tangerina e algumas nuances minerais que, em condições favoráveis insinua boa apetência para o envelhecimento em barricas de carvalho.

Adaptado de "Aromaster" para as castas portuguesas

domingo, 29 de janeiro de 2012

A que cheiram as castas portuguesas - Touriga Franca


Touriga Franca


Casta de eleição para a produção dos vinhos do Porto e Douro, a Touriga Franca, também conhecida como Touriga Francesa, encontra-se sediada, no Douro e Trás-os-Montes. Conhecida pela sua consistência produtiva e fácil cultivo, estendeu-se para outros territórios, podendo actualmente ser encontrada na Bairrada, Estremadura, Setúbal e Ribatejo.
Produz vinhos carregados de cor, encorpados, libertando aromas que sugerem os frutos e flores silvestres, ideal para abraçar um vinho do Porto conjuntamente com a Tinta Roriz (Aragonez) e/ou Touriga Nacional.


Adaptado de "Aromaster" para as castas portuguesas

A que cheiram as castas portuguesas - Castelão


  Castelão


Dotada de um elevado poder de adaptação a diferentes condições climáticas, é na região de Palmela, sob solos de areia e escassez de recursos hídricos que a casta Castelão, anteriormente conhecida como Periquita, se manifesta na sua plenitude. Espalhada um pouco por todo o país, idos são os tempos em que a casta era presença obrigatória em terras alentejanas. No entanto, fruto do seu comportamento pouco favorável nesta região, originando vinhos pouco equilibrados, magros e de fraca concentração de cor, a sua presença tem vindo a decrescer. Que justiça lhe seja feita e, se é verdade a sua inconsistência e leveza de vinhos à pouco referida, também é verdade que, em solos mais pobres, essencialmente arenosos, e escassez de água, esta tem um comportamento invejável. Produz vinhos cheios, estruturados, ricos em taninos e libertando agradáveis aromas a framboesa, ameixa e groselha, permitindo desfrutar dos seus atributos durante vários anos de guarda.

Adaptado de "Aromaster" para as castas portuguesas


sábado, 28 de janeiro de 2012

A que cheiram as castas portuguesas - Alvarinho


 Alvarinho

 Conhecida pelo seu perfil extremamente aromático, a casta Alvarinho, preenche a região dos Vinhos Verdes, mais precisamente Melgaço e Monção, conferindo a esta região, a bem merecida fama dos primeiros vinhos monovarietais provenientes desta casta.
Bastante antiga e de qualidade reconhecível, a casta Alvarinho é conhecida pela sua baixa produtividade que, compensa com as exuberantes notas aromáticas que a caracterizam, imputando aos seus vinhos um perfil floral de tília, erva-cidreira, madressilva, pêssego, toranja e maçã.
Produz vinhos equilibrados, estruturados, teor alcoólico elevado e, de uma acidez estimulante e fresca, factores que levaram a que se estende-se nos últimos anos para as regiões de Setúbal e Estremadura.

Adaptado de "Aromaster"  para as castas portuguesas

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A que cheiram as castas portuguesas - Baga


 Baga


Conhecida pela sua elevada capacidade produtiva, a Baga, encontra-se um pouco dispersa por todo o país mas, é nas regiões do Dão e Bairrada que efectivamente marca presença de forma consistente. Dividida entre os que a adoram e os que a maldizem, a Baga pode expressar o seu melhor e pior, de acordo com as condições climáticas e maneio no campo.
Por ser bastante sensível à podridão e apresentar produtividades médias elevadas, em condições extremas, poderá parecer demasiado leve, sem corpo e estrutura, pouco alcoólicos e bastante ácidos. Por outro lado, no seu melhor, controlando a sua produtividade e favorecendo arejamento, é-nos revelada outra Baga, mais intensa, concentrada, de taninos macios e aromaticamente agradável. Tintos que, exalam aromas a frutos silvestres, bagas vermelhas que, se o tempo assim o permitir evoluirão para complexos aromáticos de ameixa preta, tabaco e café, fazem desta Baga, uma casta desejável.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A que cheiram as castas portuguesas - Alfrocheiro




  Alfrocheiro

Considerada de forma consensual, como uma casta de elevada qualidade, o Alfrocheiro, desde há muito que inunda a região do Dão, região que lhe reconheceu valor, no entanto, pelas condições climáticas, não é a região a que a casta melhor se adapta.
De maturação muito precoce e, infelizmente bastante sensível a doenças, como o oídio, podridão e escoriose, o Dão não lhe conferia as melhores condições de adaptação. Decide então, pelo entusiasmo de alguns enólogos, viajar pelo país, estendendo-se às regiões de Palmela, Ribatejo e Alentejo.
É mais a Sul, nas quentes planícies da paisagem alentejana, que a casta encontra a sua casa. Solos na sua generalidade pobres, escassez de água e elevadas temperaturas, permitem ao Alfrocheiro uma maturação perfeita, com altas concentrações de substâncias corantes, ricas em aromas e taninos suaves, nascem vinhos encorpados, carregados de cor, estruturados e medianamente alcoólicos.

Adaptado de "Aromaster" para as castas portuguesas

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A que cheiram as castas portuguesas- Trincadeira


Marca presença em quase todas as regiões de Portugal mas, é no Alentejo sob o nome de Trincadeira e, no Douro onde lhe chamam Tinta amarela, que tem maior incidência.
Conhecida pelas dificuldades que apresentam anualmente a quem a produz, a Trincadeira, de cachos grandes e fechados é extremamente sensível à podridão, de folhas grandes e numerosas impede a circulação de ar ao redor do cacho, favorecendo o desenvolvimento do fungo. Trabalhosa mas, se bem conduzida, generosa, a Trincadeira privilegia solos pobres, escassez de recursos hídricos e vegetação condicionada. É sob estas condições que revela as suas potencialidades oferecendo-nos vinhos elegantes, equilibrados, de uma acidez perfeita, taninos equilibrados e exuberante de aromas a ameixa, amora e algumas nuances de vegetal. Pode dar corpo a vinhos de lote ou, se na seu apogeu, como monocasta marcante e, com grande capacidade de envelhecimento.

Adaptado de "Aromaster" para as castas portuguesas

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A que cheiram as nossas castas - Aragonez


  Aragonez

Talvez a casta com maior representatividade no Alentejo, o Aragonez é disputado entre Portugal e Espanha, sendo que a sua origem é efectivamente espanhola, onde responde pelo nome de Tempranillo (na região de Rioja). São-lhe conhecidas outras sinonímias, quer do lado de Espanha (Cencibel em La Mancha, Tinta de Toro em Toro, Tinto Fino em Ribera del Duero e Tinta de Madrid em Madrid), quer em Portugal, como é o caso do Dão e Douro onde é conhecida por Tinta Roriz e em Lisboa, onde responde por Abundante. Fazendo parte da maior parte dos encepamentos para o Vinho do Douro e Porto, revela-se uma casta de grande aptidão vitícola e enológica.
No Alentejo, o Aragonez faz parte da maioria dos encepamentos da região, manifestando as suas melhores características e capacidades produtivas. Abundante de nome e de produtividade o Aragonês agrada a todos, pela já referida capacidade produtiva, pela excelente adaptação ao clima e solos do Alentejo, retribui o berço, oferecendo-nos vinhos extremamente elegantes e frutados, macios, equilibrados e de elevada capacidade de guarda. Excelentes vinhos de lote mas, com um comportamento irreprimível em monovarietais onde, expressa a sua individualidade com aromas a ameixa madura, notas de especiarias e um ligeiro herbáceo, evoluindo para aromas de compotas, baunilha, café e fumo.

Adaptado de "Aromaster" para as castas portuguesas

A que cheiram as castas portuguesas - Touriga Nacional


Touriga Nacional


O fenómeno Touriga Nacional, tem nos últimos anos levado uma casta que, após filoxera perdeu um pouco do seu encanto, ao estrelato das castas nacionais mais cobiçada internacionalmente.
Resultante de um melhoramento genético, que corrigiu a fraca e inconsistente produtividade da Touriga Nacional, esta aparece novamente no cenário vitícola com comportamento singular, apreciada por quase todos, a Touriga Nacional deixa as suas regiões de origem, Dão e Douro, para se espalhar um pouco por todo o lado, desde o norte ao Algarve, desde Portugal a Espanha, África do Sul, Austrália e Califórnia.
Intensa na cor, de personalidade forte e marcante, aromaticamente exuberante, a Touriga tem despertado a curiosidade de viticultores e enólogos. Também conhecida como Preto de Mortágua, Mortágua, Tourigo antigo e Tourigo, já não há nome que a não identifique com a famosa Touriga Nacional. Chegou para ficar, veio brindar-nos com vinhos marcantes, carregados de cor, libertando por onde passa, aromas frutados, florais, trazendo vinhos equilibrados, alcoólicos de excelente capacidade de envelhecimento.

Adaptado de "Aromaster" para as castas portuguesas

sábado, 21 de janeiro de 2012

Quinta de Cabriz - Dão Sul







Decorria o ano de 1989, em pleno coração do Dão, nasce uma das mais prestigiadas empresas vitivinícolas de Portugal - Dão Sul.
Sediada em Carregal do Sal e inspirada na Quinta de Cabriz, rápido se torna uma referência dos vinhos do Dão.
Actualmente detentora de várias adegas espalhadas por quase todo o país a Dão Sul encontra-se presente no Dão, sua origem, no Douro, Vinhos Verdes, Bairrada, Estremadura e Alentejo. Com uma vasta equipa de profissionais a Dão sul ultrapassou fronteiras, levando o seu Know-How e a sua experiência ao Brasil, ao Vale de S. Francisco, onde produz vinhos com a elevada qualidade a que nos já habituou em território nacional.
É sob o nome de Global Wines S.G.P.S., holding criada recentemente, que a Dão Sul apresenta o seu portfólio de vinhos, azeites e queijos, que de forma tradicional, produz nas mais diversas regiões.

Breve caracterização Dão

A Região Demarcada do Dão situa-se na Beira Alta, no centro Norte de Portugal, protegida dos ventos pelas serras do Caramulo, Montemuro, Buçaco e Estrela.
As vinhas situam-se entre os 400 e os 700 metros de altitude, em planaltos de solos xistosos e graníticos de pouca profundidade, onde abundam os pinhais, produzindo vinhos encorpados com elevada capacidade de envelhecimento em garrafa.
O clima de influência continental do Dão apresenta extremos, com Invernos frios e chuvosos e Verões quentes e secos. Inicialmente, a vinha foi desenvolvida pelo clero, especialmente pelos monges de Cister. Em 1908, tornou-se na segunda região demarcada portuguesa. Com a entrada de Portugal na CE, em 1986, as vinhas passaram por um processo de reestruturação, com novas técnicas vinícolas e escolha de castas apropriadas.
O Dão apresenta uma grande diversidade de castas, entre as quais as tintas Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen e Tinta Roriz, e Encruzado, Bical, Cercial, Malvasia Fina e Verdelho nos brancos.


Quinta de Cabriz

Das vinhas tipicamente cercadas pelos pinhais, surgem as uvas produzidas em regime de produção integrada que estão na origem dos vinhos de acidez equilibrada e aromas delicados da marca Cabriz. Num portfólio que vai desde o Cabriz Colheita Seleccionada ao top Cabriz Four C, passando pelos espumantes e aguardentes, as uvas tintas e brancas são vinificadas numa adega equipada com a mais moderna tecnologia vinícola, laboratório de controlo de qualidade e sala de provas.

Fonte: www.daosul.com
Notas de Prova



Retirada da garrafeira, um pouco “perdida”, não esquecida, prová-mos Quinta de Cabriz 2006.

Apesar da idade, apresentou-se de uma agradável tonalidade amarelo dourada e bastante límpido.
Revelando aromas adocicados, a fruta muito madura e um exuberante aroma floral, ainda se desprendem alguns aromas primários, contrariando a sua idade.
Na boca manifestou cremosidade, untuosidade e corpo. De acidez ainda viva desprende aromas de boca a citrinos doces parecendo, laranja cristalizada.
De boa persistência, deixa uma ligeira sensação de amargo lembrando a casca de limão.
Deixamos para uma próxima o espumante e os vinhos da Dão – Sul, da região do Alentejo, sita no Monte da Cal.

Nota: 15 valores

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Desvendar os segredos do vinho - A Prova


O meu artigo do Jornal AltoAlentejo desta semana fala um pouco sobre a prova de vinhos e a forma como os nossos sentidos estão envolvidos no processo. De forma sucinta, porque o espaço não me permite grandes divagações, tento mostrar as diferentes fases de prova e a forma como a devemos encarar.

Espero que gostem!


Desvendar os segredos do vinho – A Prova


Provar, degustar e apreciar, é bem mais que beber!
A prova estimula os sentidos, reporta-nos a experiências vividas, transporta-nos a outros lugares, revivemos emoções, sentimos aromas escondidos na nossa memória, lembramos sabores há muito sentidos, transmite-nos sensações de frio, de calor, e tantas vezes saudade!
Durante toda a prova os nossos cinco sentidos devem estar alerta.
A audição é o “plim”, o “clic”, a chamada, avisando-nos que a prova vai começar, quando de forma viva, ou mais lentamente, deixamos escorregar o vinho ao longo do copo.
A visão permite-nos avaliar a cor, a limpidez, a lágrima que cai, sob forma de gotas mais ou menos espessas ao longo das paredes do copo. Assim como um arco-íris é gerado pelo reflexo da luz que bate nas gotas de água, também no vinho ainda que individualmente, podemos reconhecer várias cores. Do esverdeado ao âmbar, passando pelo amarelo e dourado, as cores do vinho branco evoluem como as suaves cores do arco-íris. De cores mais quentes e mais carregadas, muitas vezes expressas pelo nome de pedras preciosas, passam de um vermelho vivo ao rubi, passando pelo granada, culminando em suaves nuances castanhas que testemunham a evolução do vinho tinto.
Os aromas são a sensualidade do vinho, aromas que nos encantam, que nos prendem, que nos emocionam e embriagam. Talvez uma das mais importantes fases da prova, e que não casualmente nos é dada pelo órgão mais apurado: o olfacto.
São muitos os aromas que podemos encontrar num vinho. Um bouquet repleto e complexo, leva-nos aos mais encantadores jardins (aromas florais), aos longos pomares de fruta (aromas frutados), transporta-nos das mais vastas planícies às mais íngremes serras (aromas vegetais/herbáceos). Participamos na sua elaboração, sentimos aromas a manteiga, natas, pão, fermento e iogurte (aromas fermentativos/lácteos), amadurecemos e viajamos pelo mundo, chegamos até à Índia (aromas a especiarias) ou passeamos pelas vastas florestas francesas (aromas a madeira/carvalho francês), participamos em caçadas (aroma animal), e algumas vezes, desperta-nos bruscamente com defeitos a rolha, vinagre, suor de cavalo ou ovos podres.
A curiosidade aumenta, e surge a necessidade de o colocar na boca. É no paladar que confirmamos os aromas. O efeito retronasal conferido pela ligação entre o nariz e a boca, faz-nos parecer que na boca são aromas, no entanto as suaves nuances aromáticas manifestadas, não são mais que um reconhecimento das sentidas no olfacto. Na boca, mais propriamente na língua podemos desvendar o doce, agradável sabor que nos adoça a alma, indicador de corpo, estrutura e suavidade. A acidez, a que vulgarmente associamos ao limão, é sinal de vivacidade, frescura e limpeza ao vinho. O toque amargo presente, muitas vezes de natureza vegetal, tem origem na insuficiente maturação da uva, ou num contacto demasiado longo com as partes verdes do cacho durante a maturação.
A par dos sabores e dos aromas retronasais, a boca transmite-nos sensações tácteis, mais ou menos agradáveis, de intensidade e persistência variáveis. A adstringência, que confere a sensação de secura, rugosidade e aspereza, muito semelhante à sentida quando comemos um dióspiro. A sensação térmica de calor conferida pelo álcool, oferece estrutura, untuosidade e corpo ao vinho.

Desvendado o segredo… um brinde e UM FELIZ 2012.

domingo, 15 de janeiro de 2012


Convento Val de Pereiras


Situada em Ponte de Lima, em plena região dos Vinhos Verdes, a Quinta do Convento de Val de Pereiras, é um local de refúgio, de paz e tranquilidade para quem se quer afastar da rotina diária.
Anteriormente um convento que albergou monges e frades, o Convento é actualmente um espaço lúdico, aberto ao público como turismo rural, no qual os hóspedes podem participar em variadíssimas actividades rurais, nomeadamente na vinha de onde nasce o Val de Pereiras.
Reconvertida e inserida no projecto Casa do Farmacêutico, o Convento é um espaço de tranquilidade e serenidade em pleno Minho, ideal para recarregar baterias no nosso dia-a-dia.


Notas de prova:

Convento Val de Pereiras 2005- branco

Apresenta-se de cor amarelo palha revelando alguma idade, límpido e de lágrima mediana (não fossem os seus 11% de álcool)! No nariz revela aromas bastante frutados, já maduros, em conformidade com a idade e um bouquet floral digno da casta Loureiro. Algumas nuances muito suaves a especiarias, maioritariamente a canela. Na boca, ainda revela acidez, vivacidade, mantendo-se equilibrado e persistente.


Avaliação: 15 valores

Ano: 2005
Casta: Loureiro
Produtor: A ver navios
Denominação: VQPRD – Vinhos Verdes

Nesta tarde de Domingo, chuvosa e fria, não apetece muito mais que, ficar sentadinho no sofá a contemplar a lareira e a bebericar um vinho. Mas, por vezes o corpo necessita de movimento, renovação, então com suaves movimentos a condizer com esta tarde, recomendo o vídeo abaixo e pratiquem IOGA!










 Champagne Prévoteau - Perrier








Fundada em 1946 por Henri Prévoteau e sua mulher, a Casa Prévoteau, é actualmente gerida pelos seus sucessores que, com muito orgulho trabalho e dedicação, dão continuidade a um projecto de sonho há muito iniciado.

A vinha de cerca de 21 hectares, espalhada pelas encostas do Vale de Merne, em Epernay, é conhecida pela sua casta Chardonnay, de onde sai o Champagne Prévoteau-Perrier que provámos recentemente.

A propriedade, de cariz muito familiar, ancorada no coração da pequena aldeia de Damery, é previligiada pela natureza dos seus solos calcários, que acarinharam e albergaram há muito, o famoso monge que inventou o Champagne- Dom Pérignon.

Continuada ao longo de cinco gerações, os actuais proprietários, o casal Delphine Christophe, fazem gosto em perpetuar a tradição familiar, aplicando no entanto, novas tecnologias de produção e fabrico, acompanhando a evolução dos tempos, sem no entanto perder a qualidade e tipicidade de há muito.



Notas de Prova:
De um suave amarelo palha e bolha de persistência média, revelou-se bastante agradável na boca. De aromas cítricos, florais e um ligeiro amanteigado, revelam alguma complexidade e qualidade. Na boca, a efervescência dá-lhe vida e reflecte muito do sentido no nariz, fazendo-se sentir untuoso, cheio e equilibrado.




Avaliação: 15 valores

Casta: Chardonnay
Teor alcoólico: 12%

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012


Os aromas  são substâncias voláteis, muito importantes na prova do vinho, revelando muito da sua origem, do seu carácter e até do seu processo de fabrico e idade.

Na página dos aromas temos, ao longo do tempo adicionado os diferentes aromas que compõem a roda dos "aromas" do vinho.



Dado a sua diversidade, iremos agrupá-los, de acordo com a roda, e a cada dia, completá-la para mais facilmente descobrir-mos mais um pouco desta infindável, poderei dizer: "Janela de Cheiros"


Maçã


O aroma a maçã apresenta-se nos vinhos de formas bastante distintas, reportando-nos às mais variedades da fruta, chegando mesmo a ser considerado defeito quando expresso por aromas de oxidação.
O aroma a maçã Golden, é frequente nos vinhos brancos jovens, tranquilos ou espumantes originários de regiões mais frias, como por exemplo do Varosa e Nave e característico da casta Chardonnay, da Malvasia Fina e Verdelho, quando instaladas neste tipo de climas.
Por outro lado o aroma a maçã Reineta, mais discreto, suava e sofisticado, mas também mais ácido manifesta preferencialmente em vinhos espumantes ou champanhes mais simples elaborados a partir das castas Pinot Menieur, nos brancos da região francesa de Chablis ou ainda nos Sauvignon Blanc de Bordeaux.
Como defeito, manifesta-se aromaticamente com nuances de fruta muito madura, antevendo problemas de sobrematuração ou oxidação do vinho branco.
As substâncias químicas responsáveis pelo aroma a maçã são: maçã verde o trans-2- hexenal para aromas a relva cortada/uva verde: cis-3-hexenol.


Marmelo

Considerado um aroma secundário, o aroma a marmelo é característico dos vinhos brancos evoluídos e frequente na casta Chenin Blanc, a partir das quais são elaborados vinhos brancos secos e espumantes, que libertam suaves fragrâncias de marmelo conjugadas com tília. Em Portugal é particularmente comum em vinhos maduros, provenientes da casta Marufo (Mourisco), fazendo lembrar notas de compota.
Presente, embora menos frequentemente em tintos e roses, esta nota aromática manifesta-se na sua plenitude nos vinhos da casta Chardonnay, que lhe confere elegância e subtileza num estado de maturação mais evoluído.
Nos vinhos elaborados com uvas resultantes de podridão nobre, as frequentes notas de marmelo aparecem muitas vezes associadas a suaves perfumes de mel, frutos secos e à elegante acácia.


Ananás


O perfume exótico do ananás é um aroma primário pertencente à família frutado e presente exclusivamente nos vinhos brancos jovens.
Em Portugal este aroma manifesta-se frequentemente nos brancos provenientes das castas Arinto e Alvarinho ou até mesmo de Síria, desde que fermentados a baixas temperaturas. A casta internacional Chardonnay ou a Riesling, quando provenientes de climas frios, manifestam também este característico aroma, muitas vezes associado ao limão ou lima.
Por outro lado o aroma a ananás maduro, com aromas mais subtis, finos e elegantes são passíveis de ser encontrados em brancos mais velhos, estagiados em madeira e, associados aos exuberantes e agradáveis aromas a melão maduro.
As substâncias químicas responsáveis pelos aromas a ananás são o butirato de etilo e o butirato de isoamilo.